01/01/10

O solitário imperativo

É mais fácil nadar seguindo a correnteza, é mais fácil viver seguindo as regras sociais impostas pelos veículos de informação. É mais fácil ser um fantoche das grandes lojas de departamentos gastando todo o saldo e estourando a conta bancária. Mas, ficar triste por quê? Você é feliz, e não se dá conta. Você consome. E muito.

É mais difícil nadar contra a corrente, com certeza. É mais difícil dizer que você odeia assistir Big Brother, ou assistir A Fazenda. Lixo. É mais difícil se esquivar dos tiros vindos dos frívolos. É tão difícil afirmar o desgosto com esta época do ano. Lá vem o carnaval, tédio puro. Pessoas usando suas máscaras. Literalmente. Patético.

Eu queria possuir o direito de poder me teletransportar. Seria um direito justo. Eu queria possuir asas e voar, levantar todo o pó embaixo dos meus pés e subir ultrapassando a astenosfera e chegando ao paraíso. O nada. Afinal, é o que vivemos, dia após dia.

Eu, Mariano Torres sou o fruto do fracasso de minha espécie. Erraram ao me enviar a este planeta. Erraram e muito. Eu vivo em guerra, em uma guerra pessoal, dia após dia, lutando contra a minha natureza predatória. É difícil acordar todas as manhãs sabendo que existe um demônio querendo aflorar do meu peito. É abominável a figura de meu rosto quando sinto ódio. Mas, eu sou Mariano Torres. Sou o fruto da geração divina, pois, sou humano. Nasci pra ser testado. Mesmo que eu tenha que flagelar minha alma dia após dia para não cessar minha sede de sangue. Ser o senhor do próprio mundo é ir do vácuo ao globalizado, seguindo por trilhas invisíveis tomadas por corpos jogados ao chão. É o caos. É o caos, meu filho. Dizia meu criador.

Parado de pé em frente ao mar eu sinto a brisa fresca tocando em meus ossos, onde o ar puro e repleto de sal mistura-se em meu sistema respiratório. É o ar, é o ar que me faz sentir a vida. O ar que eu respiro. O fogo que aquece. A terra que é firme sob meus pés e a água que me nutre.

Eu corro, eu ando, eu nado, me alimento, bebo e sigo por conta própria. Sou o fruto do caos. Ser Mariano Torres é ser o útil e o indesejável. É poder sentir o batimento dos corações ao meu redor, os batimentos cardíacos de pessoas tomadas pelo medo. Pessoas mascaradas. Pessoas vazias. E mesmo que eu não seja humano, possuo mais humanidade que a maioria dos homo sapiens sapiens. É nisto que eu acredito e já que não posso voltar pra casa. É nesta esfera azul que vou viver, mesmo aparentando estar morto.

Um muro forte, alto, longínquo. Um muro de pensamentos, de indignações. É nele que vivo. Um muro necessário. Já que não existe o amor.

1 comentários:

Lua disse...

talvez o paraíso possa estar em voçê.